Bem sei que pode ser uma ilustração para levar alguém a refletir em busca de um cenário projetado. E digo mais uma vez: PROJETADO.
Mas na realidade, o que é fé? Fé é somente "acreditar" em um conceito próprio ou de um significado do senso comum? Parece que muitos que professam uma fé evangélica fazem isso pensado ainda na sua “fé” de outrora. Estes levam bagagens pesadíssimas e acham que estas são extremamente necessárias.
[...] Na Bíblia, ter fé ou crer envolve tanto confiança como entrega da vida. De várias maneiras o objeto da fé é descrito como sendo Deus (Rm 4.24; 1 Pe 1.21), Cristo (Rm 3.22, 26), as promessas de Deus (Rm 4.20), o caráter de Jesus como Messias e Salvador (1 Jo 5.1), a realidade da ressurreição (Rm 10.9), o evangelho (Mc 1.15) e o testemunho dos apóstolos (2 Ts 1.10). A natureza da fé, porém, é invariável. É uma apreensão responsiva de Deus e de sua verdade salvadora; é um reconhecimento da resposta dada por Deus à necessidade humana, que doutro modo jamais seria atendida; é a compreensão de que o evangelho é a mensagem pessoal de Deus, bem como o convite pessoal de Cristo ao seu ouvinte; é o mover-se confiante da alma em direção ao Deus vivo e ao seu Filho[...] (J. I. Packer)
Fé não está ligada a viver uma vida baseada em termos onde a locomotiva é um sensor experiencial, na verdade este é o conteúdo. Ao adotarmos estas premissas estamos dando lugar a uma fé vazia, denominada de fideismo.
A fé bíblica está pautada na confiança. O termo no original, ao nos depararmos em passagens do NT, vemos que não se concebe fé na esteira do crer, mas, mais aprofundadamente, num sentido incondicional de “expressar a ideia de um movimento de confiança que se dirige ao objeto da confiança e que descansa no mesmo”.
Essa genuína fé, a fé bíblica, não é produzida por livros, artigos, salas de seminários ou pregações de um preletor que preferimos no YouTube. Esta é a consequência de quem foi atraído com as cordas de Amor (Oséias 11:4) de Cristo e tem um interesse cada vez mais voluntário em responder a razão da sua fé (1 Pe 3:15).
A fé genuína nunca será gerada de fatores humanos!! Esta é gerada pelo próprio Deus. Vem direto do céu e nos mostra a profundidade e altura e a largura de sua obra redentora (Ef. 3:18-19).
Nunca um autor, que se propõe a fazer a teologia que for, será capaz deste feito. Só a sacra palavra de Deus pode, pois esta vem da essência do Espirito. Antes, estes fazem um trabalho laborioso para que possamos ter um pouco mais na percentagem da compreensão da obra vicária. Mas a revelação já estava lá antes deles. Isso que importa! Basta haver força de vontade de nossa parte.
Digo algo aos que tenho estima e cuidado: A fé não vai embora! Se ela foi embora, esta nunca foi a fé genuína que salva. E é esta que interessa. Piper chama esta de graça recebedora, pois a mesma recebe a Cristo. Sendo graça, nos impeli a perceber aquilo que somos e que temos. No fim das contas, com esta "graça recebedora", vemos que não temos nada se não for dado por Aquele que nos criou e um dia nos consumirá. Como me ludibriar achando algo perto das grandezas insondáveis que esta fé me propôs? Por acaso o seu "deus" não pode todas as coisas? O que lhe respondo é que o meu me tirou da cegueira das trevas para a genuína luz; Ele me fez seu filho; Transportou-me para reino do Seu amor. Como alguém estripado pelo pecado pode isso sozinho? Não sei, responda você. E digo mais: A fé genuína não desvanece, pois O mesmo que começou a boa obra vai terminar (Filipenses 1:6)
Fé está ligada ao fato de termos sido agraciados com a revelação da vida e obra de Cristo que nos faz perceber e nos envergonhar com a culpa, o poder e a presença do pecado. Esta nos mostra o real valor semântico da Justificação perante o ensino das Escrituras: Isso faz toda a diferença!